Gambozinos¶
Os GAMBOZINOS são um movimento que ainda está em fase de estruturação. Na sua génese está sobretudo a amizade e o trabalho pastoral que alguns jesuítas em formação – José Manuel Lopes, Virgílio Oliveira e Costa, Abel Bandeira, Paulo Teia e Hermínio Vitorino, quando eram estudantes de filosofia, em Braga –, estabeleceram com algumas famílias e suas crianças da rua de S. Barnabé em Braga. E para elas organizaram acampamentos e outras actividades de Verão.
Estes acampamentos eram denominados como “Gafanhotos” . Todavia, em 1994 surgiu o nome de GAMBOZINOS, durante um fim de semana na Figueira da Foz. Ao mesmo tempo, começava a falar-se entre os jesuítas jovens da necessidade de um projecto que pudesse juntar crianças de estratos sociais/económicos diferentes numa mesma actividade pastoral. Neste contexto, os campos de férias de verão – aproveitando a experiência do Camtil e Campinácios – seriam a actividade ideal para este objectivo, porque proporcionam um ambiente de relações interpessoais favorável à superação de barreiras e distâncias existentes entre as crianças provenientes de realidades sociológicas distintas.
No ano de 1995 realizou-se na serra do Gerês o primeiro acampamento de GAMBOZINOS, que teve como director o Hermínio Vitorino SJ. Este campo teve a participação de 45 miúdos oriundos de Braga e de outros pontos do país. As inscrições foram efectuadas no “Instituto Português da Juventude” (IPJ) que apoiou quase na totalidade o financiamento deste projecto. A entidade promotora junto do IPJ foi o Centro Académico de Braga (CAB).
No Verão de 1996, fruto da colaboração do CAB e do Projecto de Apoio à Criança (PAC) com o CAMTIL, realizaram-se dois acampamentos de GAMBOZINOS II. Estes campos de férias tiveram como participantes miúdos com idades compreendidas entre 8/10 anos e 13/17 anos; provenientes do CAMTIL, de famílias socialmente desfavorecidas e do Projecto de Apoio à Criança. O director destes dois campos foi Lourenço Eiró SJ que manteve a mesma equipa de animação e como capelães estiveram o padre Vasco Magalhães SJ e José António, SJ. Foram dois campos em 15 dias: 7 dias para um campo do CAMTIL, com a participação de 10 crianças do movimento GAMBOZINOS e 7 dias para um campo de GAMBOZINOS, com 10 participantes do movimento do CAMTIL. A equipa de animadores foi a mesma para os dois Campos. Aqui se deu a mudança de ideologia. Pela primeira vez, se integraram os dois mundos sociais num mesmo acampamento.
No ano posterior de 1997 surgiu de novo a hipótese de uma colaboração institucional entre o CAMTIL e os GAMBOZINOS, mas que não chegou a ser concretizada devido a dois factores: por um lado, a direcção do CAMTIL não tinha possibilidades de assumir os campos dos GAMBOZINOS, por outro, existiam alguns receios acerca dos efeitos negativos que estes campos específicos pudessem ter nos participantes dos seus campos. Por isso, a proposta foi recusada na Assembleia Geral do CAMTIL.
Neste contexto, o Lourenço Eiró SJ, que neste ano voltou a assumir a direcção de campos dos GAMBOZINOS, tentou a colaboração com os CAMPINÁCIOS uma vez que com o CAMTIL não foi possível. O colégio SJB aceitou apoiar, e deste modo, realizou-se na quinta do Pouchão (Abrantes) um campo com participantes dos dois movimentos: CAMPINÁCIOS e GAMBOZINOS. Participaram neste campo cerca de trinta e cinco miúdos dos GAMBOZINOS (sendo que dez eram do PAC) e dez alunos do colégio SJB com idades compreendidas entre os 11 e 13 anos. Foi capelão deste campo o padre Abel Bandeira SJ com a ajuda do Paulo Inglês (neste ano era escolástico jesuíta). Apesar da avaliação ter sido muito positiva, o director do SJB decidiu não voltar a colaborar oficialmente com os GAMBOZINOS, devido a reacções negativas por parte de alguns pais de alunos do colégio.
É nesta altura, no meio de tantas dificuldades, que o Lourenço Eiró SJ tenta fundar o grupo “Gago” (Grupo de Animadores de GAMBOZINOS), que seria uma direcção que assumisse e sustentasse o movimento e lhe desse continuidade de um modo mais organizado e sistemático. No entanto, apesar de algumas reuniões este grupo viria a dissolver-se. Constatámos que nesta altura, com a experiência adquirida nos CAMPINÁCIOS e no CAMTIL, existe uma preocupação no apostolado dos jesuítas jovens que é a seguinte: sendo os campos de férias uma experiência muito significativa para todos os que neles participam, devem possibilitar a participação de mais miúdos de classes sociais pobres nesta experiência.
No ano de 1998, os GAMBOZINOS voltaram a fazer dois campos de férias em simultâneo (escalões 8/11 anos e 12/14 anos), em Macedo de Cavaleiros. Desta vez o CAMTIL e os CAMPINÁCIOS através do INA apoiaram emprestando o material necessário para fazer o acampamento.
Foram responsáveis destes campos: como directores o Lourenço Eiró SJ e o Vitor Hugo, e como capelães os jesuítas Abel Bandeira e Filipe Martins. Um aspecto interessante a referir é o facto de que as duas equipas de animação foram formadas e prepararam os campos em conjunto, durante um fim de semana em Singeverga.
Chegados ao ano de 1999, o Lourenço Eiró SJ fez de novo uma proposta de colaboração estruturada ao CAMTIL para os campos de GAMBOZINOS desse ano. Desta vez a proposta foi aceite e apoiada pelo CAMTIL. Neste contexto, fizeram-se dois campos de férias seguidos em Vila Verde para participantes (11/13 anos e 14/15 anos) dos dois movimentos dividindo as vagas equitativamente: metade dos participantes provenientes do CAMTIL (“ricos”) e a outra metade dos GAMBOZINOS (“pobres”). Os escolásticos jesuítas (da Comunidade Pedro Arrupe) ficaram com a responsabilidade directiva e logística destes campos. Assim sendo, os directores foram o Filipe Martins (com a ajuda do Pedro Rocha Mendes SJ) e o Lourenço Eiró, e os capelães foram o João Norton SJ e o Abel Bandeira SJ.
Embora os campos se vão concretizando e o projecto ganhando cada vez mais consistência, os GAMBOZINOS não têm estabilidade e organização suficiente de modo a ser mais autónomo como movimento. Por isso, como os jesuítas em formação que estavam mais envolvidos neste projecto tinham consciência deste facto decidiram fazer um encontro para reflectir e aprofundar estes aspectos. Esta reunião decorreu em Soutelo (Braga) e dela saíram as seguintes decisões para o futuro: integrar alguns leigos – aqueles que já faziam campos dos GAMBOZINOS como animadores – na direcção deste projecto e passar a “sede” do movimento para a Comunidade do Pragal. Este movimento no ano de 2000 realizou mais dois campos de férias na Ota e voltaram a contar com o apoio do CAMTIL: ajuda material e intercâmbio de participantes. Os directores foram o Vitor Hugo (participantes com 11/12 anos) e o Miguel Almeida SJ (participantes com idades 13/14 anos). Como capelães estiveram o João Norton SJ e o padre Abel Bandeira SJ.
Página Oficial¶
http://www.Gambozinos.org Gambozinos
Referências¶
Cfr. José da Silva ALMEIDA SJ, Para Educar Melhor - Campos de Férias Inacianos, AO, Braga, 2004
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