Manual de Funções¶
O Manual de Funções tem como objectivo reunir informações e dicas para cada uma das funções num campo de férias: Director, Director Adjunto, Mamã, Capelão, Tia, Animador Livre e Animador de Equipa.
- A primeira versão surgiu em Abril de 1993, sendo a versão actual de Março de 2008.
- Compilado por Pedro Vicente (DL-CAIC 05/08).
- Complementa o Manual do Director, o Caderno da Mamã e o Caderno de Jogos.
Objectivos¶
Este manual é o resumo de tudo quanto foi possível recolher acerca das diversas funções num acampamento de férias, sendo baseado nos antigos manuais existentes, em livros sobre acampamentos de férias e liderança inaciana, e na própria experiência de diversas pessoas.
Espero com ele enriquecer o património dos Campinácios e contribuir para uma maior e melhor formação de todos os que, de um modo ou de outro, integram o movimento, dando também um maior "background" da experiência de acampamentos anteriores aos futuros animadores.
Destina-se sobretudo a ser uma ferramenta indicativa dos objectivos, forças e fraquezas de uma equipa de animação num acampamento de férias. Ao lê-lo e cumprindo as indicações, ninguém se tornará num animador perfeito, nem é essa a ideia: o importante aqui é a reflexão sobre o que fazemos e porque o fazemos.
Ser animador¶
Animador, do latim ănima (alma) — dar movimento ao que é vivo.
Em alguns textos do MOCAMFE (o início dos acampamentos de férias como hoje os conhecemos) fala-se de uma experiência radical de afastamento da realidade como a concebemos no dia-a-dia, para descobrir, num clima de família e despojamento, como os valores da fé, da alegria e da comunhão com os outros são tão importantes para a verdadeira felicidade. Sublinha também que, depois do acampamento, tudo isso pode ser levado facilmente para a nossa vida concreta, e esse é o sucesso de um acampamento. E se, para os participantes, isto se faz no meio de jogos, diversões e momentos de reflexão, para os animadores é já uma verdadeira escola de vida, porque todo o cristão é desafiado a viver desinstalado e a ser animador no mundo.
Mas vê-se muito pelos acampamentos de hoje aqueles que impõem aos participantes todas estas coisas, mas que não estão dispostos (não querem) a renunciar a elas e não possibilitam os seus bons efeitos nas suas próprias vidas. A experiência da verdadeira renúncia (e até de uma certa dificuldade com a falta de condições materiais) torna-nos mais fortes e muito mais sensíveis aos que têm menos que nós. Mas se não o queremos viver para nós, conseguimos transmiti-lo aos outros?
Ser animador¶
O animador é o que se sente enviado e se sabe instrumento ao serviço de qualquer coisa bem maior do que si próprio. Por isso, no acampamento, não importam tanto as suas capacidades e qualidades (nem os medos ou receios), mas apenas a sua abertura àquilo que lhe será pedido pelo bem de todos. Quem está ao serviço esquece-se de si mesmo e dá-se (todo) àquilo que faz. O seu trabalho é a sua vida. E ser animador, antes de mais, é um privilégio que é honrado com a entrega e com o serviço incondicionais ao acampamento.
Mas vê-se muito pelos acampamentos de hoje que ser animador é um título que se exibe e que dá direitos (direito a descansar até mais tarde e fazer disso um privilégio diário, direito a sair do acampamento para ir arejar, direito a usar o telemóvel quando apetece, direito a beber cervejas, coca-colas, aguardentes, vodkas…). Se o animador não está totalmente disponível, é um peso que bloqueia em vez de um instrumento que contribui para andar em frente.
Sacrifício, alegria e unidade¶
São talvez as três palavras-chave do animador. Sacrifício (do latim sacrum-facere — tornar qualquer coisa sagrada), que significa dar sentido a cada coisa que fazemos, torná-la parte de um sonho maior que nós e para o qual estamos a contribuir com o pouco que somos e que fazemos.
A alegria, que é o maior dom que recebemos de Deus (a certeza que somos eternamente amados) e que temos de oferecer a todos os que aparecem à nossa frente. A Madre Teresa dizia: "Não permitas nunca que alguém venha até ti e que, ao partir, não vá mais feliz e mais contente" — e parece-me a melhor definição do desafio que nos é pedido como cristãos e animadores.
E a unidade, porque sem ela o nosso serviço é confuso e incoerente. A unidade começa por reconhecer que alguém está responsável e que a nossa primeira responsabilidade é reconhecê-lo como tal e oferecermo-nos a ele. E é difícil, porque se calhar teremos de ir contra a nossa vontade, mas é o preço para viver a nossa missão com alegria e sentido.
Exigência pelo melhor¶
E, por tudo isto, quem está num acampamento não está por mais nada do que pelo mais e melhor. E o melhor é fazer que o acampamento toque profundamente as vidas de quem nele participa e seja (para nós animadores) momento de verdadeiro encontro com aquilo que somos de mais profundo. Um acampamento muda mesmo uma vida quando é vivido com esta exigência. Custa ouvir tantas vezes a expressão "qual é o mal?", quando a nossa preocupação no acampamento deve ser exactamente a contrária: "qual é o bem que fazemos com isto ou aquilo?" Tantas questões se resolveriam se fizéssemos esta pergunta antes de fazer um aplauso ou um jogo duvidoso, cantar algumas músicas de mau gosto, etc.
Organização, rigor e ritmo¶
Um modo de conseguir tudo isto é imprimir ao acampamento um ritmo dinâmico, com muitas (e diversificadas) actividades, mas também com muito descanso e espaços de convívio sereno. As conversas no acampamento são dos momentos mais valiosos! Para isso, é essencial o acampamento vir muito bem preparado, não só com um programa realista e coerente, mas especialmente com as actividades prontas a entrarem em acção quando for necessário. Se, para preparar um jogo ou actividade, precisamos de toda a manhã (ou de ficar acordados depois da reunião de animadores), então alguma coisa se perde. E o rigor e o ritmo passam por todos, não só pelo director. Seja no acordar, seja nas lavagens, seja em qualquer outro momento. O descanso dos participantes (6 a 7 horas, mínimo) e dos animadores (5 a 6), aliado a um grande ritmo, são o sucesso de um acampamento e a única forma de ele poder crescer até ao fim.
Mas vê-se muito pelos acampamentos de hoje que se organizam as coisas em cima do joelho, que em vez de um programa se faz um esboço que se está sempre a alterar, muitas vezes apesar da insistência de quem está responsável.
Avaliação a meio do acampamento¶
Não há melhor modo de perceber como está a correr o acampamento do que fazer uma mini-avaliação a meio do acampamento, em estilo simples e rápido. Para eles é bom para recapitularem e tomarem consciência do que já viveram. Para nós é um termómetro espantoso para afinar o modo como estamos a fazer as coisas. E no fim é mesmo necessário avaliar. Mais grave do que permitir que um acampamento corra mal é deixar que isso volte a acontecer, por falta de uma avaliação coerente e verdadeira.
Quatro pilares para o sucesso¶
- Autoconhecimento — compreender os nossos pontos fracos e fortes, valores e visão do mundo.
- Amor — relacionar-nos com uma atitude positiva e cheia de amor.
- Engenho — não recear inovar e adaptar-nos à mudança.
- Heroísmo — motivar-nos e aos outros através de ambições heróicas.
Por último, há que lembrar: para ANIMAR, há que estar ANIMADO! Um sorriso na cara de uma criança é de facto a nossa recompensa.
Posições dentro de um acampamento de férias¶
Cada função tem a sua página, com o texto do manual:
- Director — ver também o Manual do Director
- Director-Adjunto
- Mamã — ver também o Caderno da Mamã
- Tio/Tia
- Capelão (e o Capelinho)
- Animador Livre
- Animador de Equipa
Características que podem ajudar (para todos os animadores)¶
- Identificado com o grupo — deve estar integrado dentro do seu grupo, partilhando integralmente a sua vida; deve ser um do grupo, a enfrentar facilidades e dificuldades. Se tiver um complexo de superioridade nunca poderá ser aceitável nem aceite; se houver um grande desnível corre-se o risco do paternalismo; se houver inibição em relação ao animador, facilmente o grupo cai numa dupla vida: quando está o animador e quando não está.
- Aceite por todos — ou pelo menos por uma grande maioria. Convém que haja confiança nele.
- "Iludido" — o animador tem que estar apaixonado por Jesus Cristo e pela sua causa. Como poderá interessar os outros se ele mesmo está desinteressado? Deve estimar o grupo e compreendê-lo. O verdadeiro animador valoriza a pessoa e o grupo e reconhece as suas qualidades. Valoriza o êxito, partilha as angústias do grupo. É compreensivo nos problemas, sabe desculpar, pedir perdão e é capaz de perdoar; tem um coração grande; não é mesquinho; está ao lado de todos e de cada um para partilhar êxitos e fracassos, angústias e alegrias.
- Bom companheiro — é tratável, simpático, gosta de partilhar com todos. É acolhedor, sabe defender o grupo quando é necessário. É conciliador. É como uma casa de janelas e portas abertas.
- Sincero e coerente — não pode ter várias caras, deve ser uma pessoa de uma só palavra. Não pode dizer uma coisa no grupo e outra fora dele. Deve aprender a abrir a sua interioridade e a partilhar a vida com os outros.
- Prudente — guarda dentro de si os problemas do grupo. É oportuno ao falar. É conciliador e conciliável.
- Equilibrado — sem grandes alterações de humor e/ou psicológicas. Os êxitos não devem arrebatá-lo, nem o fracasso atirá-lo para o desânimo.
- Dialogante — que saiba escutar, que seja aberto. O animador deve saber ceder e ser capaz de chegar a um consenso, deixar cair barreiras inconciliáveis. Compete-lhe ser centro de unidade, impor respeito, promover o pluralismo possível dentro do grupo. É imprescindível que seja capaz de entender todas as posições e aceitá-las.
- Inovador — um bom animador é receptivo, tem que estar em permanente busca para que o mesmo aconteça ao grupo. Ter espírito inovador significa discernir o importante do acessório, o profundo do superficial, para não se deixar levar por insignificâncias.
- Confiante — a confiança é o princípio do equilíbrio e da serenidade. O que tem confiança em si transparece-a. O inseguro gera insegurança e o angustiado gera angústia. A confiança nasce em si mesmo e nos outros.
- Pessoa do grupo — não se torna o dono do grupo, nem o modela à sua imagem e semelhança. Permite a troca de experiências. Procura promover encontros com os animadores de outros grupos.
- Humilde — aberto a aprender, sem ser "aquele que tudo sabe".
Noções práticas (para todos os animadores)¶
Existem algumas noções que acabamos por aprender com a prática e com os animadores com mais experiência; de qualquer modo, referir nunca é demais:
- Primeira e talvez mais importante: um animador nunca desautoriza outro em frente a animadores ou participantes. Quando algo errado é dito, deve-se chegar junto à pessoa e dizer-lhe apenas a ela, sem que mais ninguém note, e apenas essa pessoa comunica aos restantes que o que disse estava errado.
- Uma das coisas com que um animador acaba por mais lidar num acampamento de férias, e que acaba por ter bastante de novidade, é a autoridade perante os participantes. O P. José Manuel Lopes SJ tem uma ideia bastante curiosa sobre como gerir isso: "Temos que ser como um funil invertido: começamos por não dar muita confiança e, quando já existe um certo nível de respeito, podemos ir abrindo o funil. Se começarmos ao contrário, será muito difícil voltar a encolher." Um antigo director, Carlos Ruiz, tinha outra frase interessante quanto à posição de director e à relação com os participantes: "Sou amigo deles a partir do terceiro dia", caricaturando a autoridade que se cria até lá.
- Encadeada com a indicação acima está a relação com os participantes: é muito fácil um animador exercer algum fascínio nos participantes — é mais velho, tem piada, já é mais adulto que a malta da idade deles. Por isso é bom estar atento para ter proximidades saudáveis, criar laços de amizade, mas não abusar do fascínio para passar além disso.
- Deve-se ter sempre em mente que estamos no acampamento pelos participantes: não pelos que achamos piada, pelos que são engraçados, mas sim por todos. Parecendo algo óbvio, ter isto em mente é extremamente vital, para que nunca ponhamos de parte algum miúdo porque o achamos mais chato; pior ainda, nunca devemos ter aqueles comentários mauzinhos sobre um miúdo junto aos outros animadores, ou obviamente aos participantes, que têm como objectivo serem engraçados mas que acabam por fazer com que alguém fique à parte ou acabe por saber e ficar magoado. Estamos num acampamento para educar e acolher!
- Deve-se ter imenso cuidado com as preferências pessoais: um animador nunca deve demonstrar ou passar a imagem de que gosta mais de uns participantes do que de outros. Por vezes faz-se isso sem ter noção — falar sempre com as mesmas pessoas, sentar-se sempre com as mesmas pessoas, etc.
- Ao falar para um grupo, aquilo que mais se nota é se a pessoa está insegura ou com medo; por isso, há que ter sempre em consideração que se deve ter segurança no que se diz quando se fala para a roda.
- É necessário um grande esforço de todas as partes para que nunca durante o acampamento, mesmo nas alturas de maior cansaço, haja discussões — e, no extremo de haver, nunca devem ser visíveis para os participantes, pois põem todo o acampamento em risco. Nesse extremo, o director deverá estar atento a elas e resolvê-las rapidamente.
- Quando um animador sai da roda, ou se desloca para falar com alguém, deve sempre sair e dar a volta por fora da roda, e nunca por dentro.
- Durante uma refeição há uma equipa ou voluntários a servir; para além desses, não deve haver mais pessoas a andar no meio da roda.
- Há que ter alguns cuidados na roda: por exemplo, ao começar um aplauso deve-se sempre ter a noção se toda a gente sabe ou não; caso não saiba, é sempre boa política explicar, porque assim quem não souber não se sente "à parte".
- Cuidado com as brincadeiras à refeição: uma variante que perca o controlo pode facilmente tornar-se em comida desperdiçada, e é mesmo mau desperdiçarmos comida num acampamento em que pretendemos ser simples e dar valor às pequenas coisas, incluindo os alimentos que temos.
- Num acampamento onde já existe enorme cumplicidade torna-se possível aos animadores estar em comunicação por olhar com os restantes animadores e o director. Caso esta comunicação seja eficaz, às vezes as próprias palavras entre animadores numa roda são dispensadas, servindo um olhar para dizer "salta para o meio da roda" ou "é agora".
- O "papel de mau" não deve ser abusado pelo director: as primeiras indicações, quando algo corre mal, devem sempre que possível ser feitas por outro animador, para que o director só actue quando algo mesmo sério aconteceu — e, quando o faz, isso tenha um impacto imediato nos participantes.
- Cuidado com as noitadas, que facilmente prejudicam o resto do acampamento pelo cansaço. É importante haver convívio para a união da equipa, mas deve haver sempre a noção de que, no dia seguinte, devem estar todos "frescos" e com toda a força para animar.
- Não se deve abusar do estatuto: chegar tarde a uma actividade "porque se estava bem no café", tomar banho independentemente das horas estabelecidas, etc.
- Ao fazer algo, lembra-te sempre que os participantes te vão imitar — para o bem ou para o mal.
- Há a "tradição" de não revelar quem são os animadores de cada acampamento aos participantes. Isto não é apenas uma tradição que se faz porque sempre se fez: tem motivos. Primeiro que tudo, ajuda a que os participantes vão com o espírito aberto para o acampamento e não vão com ideias pré-formadas, para bem ou para mal — isto é gradualmente mais importante conforme a idade dos participantes aumenta. Ajuda também os animadores, antes do acampamento, nas actividades que houver, a estarem presentes para todos os participantes e a não se verem apenas "cercados" daqueles que irão fazer o seu acampamento.
- Muitas vezes há a tendência, quando se chega a animador, de pensar que se sabe tudo. Isso é dos maiores erros que se pode cometer: deve-se escutar quando nos chamam a atenção e valorizar isso, para que na próxima não cometamos os mesmos erros. Afinal, os animadores mais velhos têm uma experiência a passar!
Articulações entre funções e "equivalências"¶
Exposição¶
A grande maioria das pessoas que vão aos acampamentos de férias vem do meio urbano e, não raro, de situações familiares complicadas ou mesmo degradadas. Deste modo, procura-se criar no acampamento um meio em que todos se sintam bem, mas num ambiente familiar vivido como tal. O acampamento de férias, como melhor maneira de funcionar bem e realizar os seus objectivos, deve funcionar como se de uma verdadeira família se tratasse. Assim podemos fazer as seguintes "equivalências":
| Função | Equivalência |
|---|---|
| Director | Pai |
| Mamã | Mãe |
| Animadores | Irmãos mais velhos |
| Capelão | Padre amigo da família |
| Participantes | Irmãos mais novos, aqueles para quem o acampamento de férias é feito e sobre os quais devem recair todas as atenções |
Há a relembrar que tudo isto é figurativo, uma expressão do funcionamento, e não é associado a sexos: ou seja, por exemplo, um director não será necessariamente um homem — isso seria uma interpretação literal.
Director – Capelão¶
É muito importante o diálogo entre eles antes e durante o acampamento; deve haver um grande à-vontade entre eles para que possa haver franqueza e favorecer o aconselhamento e a consulta. O director tem que ter a preocupação de integrar o capelão no acampamento, para que este não pareça um mero apêndice. Não deve haver competição entre eles, mas sim cooperação, de modo a que haja segurança no acampamento.
O director não deve recorrer ao capelão para todas as dificuldades, deve manter uma certa independência deste. O capelão tem uma função mediadora, uma presença moderada, "deitar água na fervura"; deve apontar sempre o lado positivo das coisas e ajudar a direcção conferindo- lhe confiança; deve estar sempre com sentido crítico, embora sem penetrar na esfera de competência do director. Ele é, no fundo, um animador ao nível do espírito. Para os participantes é sempre muito marcante o testemunho do capelão, a maneira como ele actua, não se podendo limitar ao "Bom Dia Senhor" e à missa. O capelão é uma pessoa cujo sacerdócio lhe atribui uma missão específica como animador: educador da fé. Em questões de fé é a autoridade do capelão que deve prevalecer.
Direcção – Animadores¶
Deve haver um conhecimento entre o director e os animadores e mútua confiança, para que se possa estabelecer uma relação franca e aberta. Muito importante é que, desde o início, se faça uma clarificação da actuação de ambos: há que saber até onde vai o papel e o âmbito de actuação de cada um. Pode-se considerar a direcção como o animador dos animadores; esta tem que ter uma presença atenta sobre tudo e todos, prestando uma atenção especial aos que estão a animar pela primeira vez.
O conjunto dos animadores e directores deve funcionar como uma máquina, em que cada um se integra como uma peça de uma função global — daí a importância de uma preparação conjunta do acampamento. Essa função global obriga a uma consciencialização dos animadores de que se vai proporcionar um acampamento de férias e não gozar um acampamento de férias. A questão de como devem ser feitas as correcções, e quais correcções, não encontra regras rígidas; porém é importante que a direcção esteja atenta e chame sempre a atenção quando se note que algo não vai bem. A crítica do director deve ser feita de um modo coerente, construtivo e estimulante. É através da experiência que ele vai adquirindo o sentido de oportunidade de intervenção. Note-se bem que a direcção nunca se deve abster de agir, mesmo que tenha de ser dura com os animadores.
É de extrema importância a avaliação diária dos animadores e da direcção ao longo do acampamento: não se deve facilitar, porque se tudo está a correr bem, pode correr ainda melhor!
Capelão – Animadores¶
O capelão tem importância para o animador quer em aspectos pessoais, quer quanto ao andamento do acampamento: o animador deve dirigir-se ao capelão quando tem dúvidas pessoais ou sobre a forma de se relacionar com os participantes. O capelão deve contactar muito os animadores de equipa: os animadores são o elo de ligação entre aquilo que o capelão quer dar e os participantes receber. Por outro lado, na relação entre os animadores e o capelão surge uma ponte para os participantes: é aos animadores que os participantes vão, muitas vezes, buscar aquilo que o capelão quer transmitir; por seu lado, o capelão socorre-se do animador para saber mais sobre os participantes. Dentro do acampamento de férias dá-se uma desmistificação da figura do padre. Por vezes há uma grande dificuldade em ultrapassar barreiras entre o animador e o capelão, resultado de pequenos preconceitos de parte a parte, pelo que estes devem ser rompidos.
Conclusão: a família¶
O acampamento funciona exactamente como uma família, onde cada membro tem um papel importante. É necessário estar sempre atento a tudo o que se passa, a casos especiais e a quem mais precisa. Não apaparicar, mas também não repelir; ser moderado em tudo. Cada caso, cada pessoa, deve ser tratada à sua maneira. Tem que haver uma diversidade e complementação dos vários membros da família, para que possa existir uma harmonia total.
Referências¶
- P. Domingos Freitas SJ, Manual de Funções, 2000.
- José da Silva Almeida SJ, Para Educar Melhor - Campos de férias inacianos, AO, Braga, 2004.
- Chris Lowney, Liderança Heróica, Verbo.
Compilação e agradecimentos¶
Compilação por Pedro Vicente (DL-CAIC 05/08). Agradecimentos aos diversos animadores que ajudaram na elaboração, reescrita e reorganização deste manual, bem como à DL-CC e à DL-CSJB, e ao Perrú SJ, pelo texto inicial que é uma adaptação de um texto do Pe. Vasco SJ.
Páginas que ligam para aqui¶
| Categorias |
|---|
| Manuais |